Batizado e iniciação religiosa: o que é preciso saber sobre o tema?

Em todas as religiões, o batismo significa novo nascimento, e cada doutrina traz aspectos únicos em relação a seus ritos e iniciação religiosa. Ainda que sejamos considerados um país cristão (mais de 86% dos brasileiros, de acordo com a última pesquisa do IBGE), os ritos dessas e de outras doutrinas podem se diferenciar completamente.

No entanto, como eles funcionam na prática? Neste post, falaremos como acontece os rituais nas principais religiões e como a criança inicia essa caminhada recheada de bênçãos, fé e esperança!

Candomblé

No Candomblé, a iniciação religiosa acontece antes do primeiro mês de vida em uma cerimônia chamada Ikomojádê — 7º dia para as meninas, 8º dia para gêmeos e 9º dia para meninos. No ritual, o pai de santo revela o nome religioso do bebê, que indica o orixá do pequeno. O rito continua com uma reza forte e em voz alta, enquanto águas são jogadas por todos os lados do local.

Além disso, durante a cerimônia, são escolhidos duas pessoas que recebem a função de serem guias da criança, e que carinhosamente são chamados de padrinhos (apesar de haver contradição entre os adeptos a respeito desse termo e sua relação com a fé cristã-católica).

Umbanda

Depois que nasce, a criança é apresentada no terreiro pelos pais umbandistas, que a veste de branco. O pai ou mãe de santo, líder do local, batiza o pequeno com azeite, água, sal e outros preparos, selando sua bênção e proteção aos Babalorixás e Ialorixás. E então, o bebê recebe seu nome na frente de todos em meio a um clima de concentração e respeito.

Durante o crescimento da criança, ela é evangelizada por meio de atividades e ensinamentos que influenciam sentimentos como fé, amizade, respeito e amor ao próximo. Com isso, a iniciação religiosa, de fato, acontece quando a criança chega a fase adulta e desperta o interesse de seguir tais ensinamentos e participar do terreiro.

Budismo

A iniciação religiosa budista acontece quando o menino completa 10 anos de idade, em uma cerimônia chamada “ordenação leiga”. Nela, ele recebe um novo nome de um superior do templo budista, juntamente da sua ordem na linhagem de Buda, e se torna monge. A tradição é direcionada ao filho homem, mas, no caso das meninas, elas podem virar monjas caso a família permita.

Essa cerimônia é considerada uma espécie de batismo e a festa tende a durar o dia inteiro, com muita dança e alegria na presença de amigos e familiares. Contudo, o menino deve passar por um período preparatório antes, que pode durar até 1 ano.

Islamismo

Para o Islamismo, o primeiro ritual acontece logo após o nascimento, quando o pai muçulmano recita o Azan (fundamentos da religião) no ouvido do bebê com o intuito de o despertar aos mandamentos de Deus. E depois da primeira semana acontece o segundo ritual, que é quando raspa-se a cabeça do pequeno, doa-se a uma família considerada menos favorecida e, logo em seguida, a criança recebe seu nome.

Por fim, a cerimônia termina com o Akika, que é um banquete de celebração. A comemoração é recheada de fartura e tem o carneiro como prato principal da festa.

Espiritismo

A doutrina espírita, disseminada por Allan Kardec, defende a prática da caridade por meio dos ensinamentos de Jesus Cristo descritos na Bíblia. Acreditam que isso não está condicionado a ritos e batismos religiosos, e sim na fidelidade aos ensinos morais do Evangelho e suas boas práticas. Portanto, a criança é conduzida naturalmente aos dogmas sem que haja uma cerimônia específica.

Inclusive, também não existe idade mínima para o passe (atividade mais conhecida dos centros espíritas), pois acredita-se que a mediunidade pode se desenvolver ainda na infância. A recomendação é observar o comportamento e a transmissão de energia, e “deixai as crianças e não as impeçais, porque de tais é o reino dos céus” — Mateus 19 :14.

Judaísmo

A iniciação religiosa judia ocorre na adolescência, aos 12 anos para as meninas e aos 13 para os meninos. Na cerimônia, a criança ora em hebraico e recita trechos da Torá (escritura religiosa dos judeus). Por fim, todos selam o momento com uma festa especial e na presença de amigos e familiares.

Muitos pensam que a iniciação ao judaísmo se dá ainda criança, depois da circuncisão para os meninos ou na apresentação da menina perante a Torá. No entanto, esses ritos funcionam como uma bênção especial e não as tornam judias de fato.

Catolicismo

Na Igreja Católica, o ideal é que o batismo aconteça até os 9 anos para a criança dar início à catequese. Além disso, a maioria das igrejas exigem que os pais ou tutores legal do pequeno também sejam batizados e crismados, com o objetivo de dar sequência aos dogmas religiosos. A cerimônia ocorre com a bênção do Padre utilizando água benta, enquanto os padrinhos seguram a criança no colo.

Outra recomendação da igreja é que os padrinhos também sejam batizados na Igreja Católica e tenham feito catequese e crisma. Porém, alguns padres aceitam realizar o ritual usando como base a ideia defendida pelo Papa Francisco, de que o batismo é um direito canônico que não deve ser negado. Por isso, essa exigência pode mudar de paróquia para paróquia.

Protestante

As denominações protestantes, como batistas e pentecostais, por exemplo, acreditam que o batizado deve acontecer após os 10 anos. Eles defendem a livre escolha da fé, e por isso, esperam a criança sair da infância e manifestar a vontade de descer as águas do batismo, como popularmente é mencionado pelos devotos.

A cerimônia ocorre com a imersão total da pessoa em um rio ou tanque de batismo, fazendo uma analogia com a maneira que Jesus Cristo foi batizado no rio Jordão, segundo a Bíblia. O ritual acontece depois que o líder religioso faz algumas perguntas, chamadas de profissão de fé.

Os presbiterianos recomendam o batismo ainda bebê como parte de sua prática litúrgica. O significado atribuído a esse batismo varia dentro da teologia presbiteriana, mas geralmente envolve a ideia de ingresso na comunidade da fé e a incorporação do bebê à família espiritual da igreja. Além disso, muitos presbiterianos veem o batismo como um sinal e um selo da aliança entre Deus e Seu povo, sendo uma expressão da graça divina que opera na vida do indivíduo desde tenra idade.

Esse sacramento é entendido como uma parte essencial do cuidado espiritual da criança, embora, como mencionado anteriormente, outras denominações protestantes possam optar por adiar o batismo até que a pessoa possa fazer uma profissão de fé consciente, usualmente a partir dos 10 anos.

Independentemente da doutrina, toda iniciação religiosa é um momento especial para a família. Por isso, ele merece uma vestimenta perfeita, concorda? Lembre-se de planejar a cerimônia e escolher com carinho a roupa da criança para consolidar essa experiência única e que deve ser guardada para sempre.

E se você quer entender mais como funciona o batizado católico, conheça nosso guia completo para planejar essa celebração tão importante! Caso tenha dica de material bem legal sobre iniciação religiosa e quiser partilhar com nossos leitores, é só escrever nos comentários. Nossa comunidade do bem dissemina cordialidade, amor e troca.

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1 Comentário

  1. Sou protestante. Sou pastor da Igreja Presbiteriana. Este texto está equivocado. A Igreja Presbiteriana entende que o batismo é a circuncisão da Nova Aliança, por isso batiza-se a criança logo nos primeiros dias de vida dela.

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